Você acredita em fantasmas? Parece uma pergunta boba com uma resposta óbvia. Mas é bom ter isso em mente antes de se aventurar pelo cinema, pois pode tomar muitos sustos com A Mulher de Preto.
O livro homônimo de Susan Hill adaptado para a telona sob a direção de James Watkins, de início chama atenção por que seu protagonista é interpretado por ninguém mais, ninguém menos que Daniel Radcliffe. E logo de cara posso adiantar que a imagem de Harry Potter ficou para trás, no momento em que Daniel assumiu a pele do advogado Arthur Kipps. Não vou mentir dizendo que não há momentos em que a gente deseja: “dá logo um Avada Kedavra nessa mulher!” Mas não por causa do ator e sim por conta das situações e o suspense, que é enlouquecedor certas horas.
Arthur Kipps é um jovem advogado que atravessa um momento difícil pessoal e profissionalmente. Pessoal porque ao tornar-se pai, perdeu a esposa e seguiu adiante criando seu filho com ajuda de uma governanta, e, mesmo o amando muito, no fundo não consegue superar totalmente a morte da mulher. Profissional porque durante esses quatro anos, o luto e a nova rotina parecem ter atrapalhado seu desempenho no trabalho, chegando o momento em que seu chefe lhe dá um ultimato: precisa deixar Londres por alguns dias em busca de documentos pendentes para completar o processo de venda da mansão mais antiga do povoado Crythin Gifford, cuja dona tinha falecido. Sem escolha, Arthur deixa seu filho em Londres, prometendo reencontrá-lo no final de semana, e parte para o povoado em busca de todos os documentos, que provavelmente estariam perdidos entre pilhas e pilhas de papéis no interior da velha casa.
Assim que chega a cidade, Arthur começa a perceber comportamentos estranhos, medo, tristeza e muitos segredos envolvendo a população e a misteriosa mansão. E é nesse clima sombrio, repleto de mistérios e quase sem nenhum apoio que ele pretende concluir sua missão.
Pessoalmente, preciso ressaltar que Arthur é um homem muito corajoso, pois a mansão em questão, além de apavorante, fica praticamente em uma ilha, cuja única estrada aparece e desaparece conforme a maré (por muito menos eu já tinha dado meia volta e começado a procurar um novo emprego nos classificados). Visivelmente impressionado com toda a superstição presente no povoado e a própria dúvida quanto a existência de um mundo espiritual capaz de cruzar a fronteira, uma vez que costuma sentir a presença da falecida esposa, Arthur se descobre vendo e acreditando na presença de uma mulher vestida de preto aterrorizando a propriedade.
Como não pretendo soltar spoilers aqui e acabar com a “graça” do filme, o que posso adiantar é que a trama é bem interessante, os diálogos são poucos, o que significa que as explicações chegam de maneiras não muito convencionais. A direção garante bons sustos e cenas angustiantes, repletas de tensão e foco em detalhes. O filme é típico terror no estilo “O Orfanato” e “Rose Red”. Ou seja, suspense e cenas apavorantes com um toque de drama. Tudo muito bem dosado. Não existem momentos leves aqui. Os personagens são sofridos, carregados, quase nunca sorriem e vale destacar as atuações da atriz Janet McTeer e o ator irlandês Ciarán Hinds, como o casal Daily que tem uma participação interessante na trama. E, para quem, assim como eu, tem pavor de bonecas, palhaços e brinquedos que fazem barulho ou tocam musiquinhas de ninar (eu acho até a abertura de The Secret Circle Freak), taí um prato cheio para não dormir por uma semana. Recomendo!





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