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domingo, 11 de março de 2012

Assistindo Livros: Sete Dias com Marilyn

É impossível pensar em Holywood e não vir à mente uma sequência de flashes com as mais notórias imagens de Marilyn Monroe. Imagens essas que ficaram imortalizadas como ícones de fama, glamour, prestígio e sex appeal. Todas queriam ser Marilyn. Ainda hoje muitas gostariam. Afinal, o que pode ser melhor do que se tornar a diva mais célebre do cinema, com todos os homens aos seus pés e um carisma tão inegável que nem mesmo após 50 anos de sua trágica morte consegue ser esquecida? Muita gente pode realmente pensar assim, mas talvez, a própria Marilyn pudesse ter uma resposta diferente.
E é exatamente esse lado frágil, carente e inseguro de uma das mulheres mais emblemáticas do cinema que temos a oportunidade ver no filme Sete Dias Com Marilyn. Porém, acredite, não se trata de nenhuma biografia da atriz. O filme é na verdade baseado na obra literária de Colin Clark: The Prince and The Showgirl and Me e My Week With Marilyn. Os dois livros são memórias do autor sobre os bastidores da filmagem de The Prince and The Showgirl em Londres de 1956 com Laurence Olivier e Marilyn Monroe, e de como chegou a dividir a cama com a lenda de Hollywood.
De fato, Colin é nosso protagonista aqui, interpretado pelo ator britânco Eddie Redmayne (que fez papéis pequenos em filmes como Elizabeth - A Era de Ouro, A Outra, O bom Pastor e Pecados Inocentes). Um rapaz com então 23 anos, de família britânica abastada e influente, apaixonado por cinema e determinado a deixar tudo para traz e juntar-se à trupe. Seguir seu sonho de fazer parte daquele universo de alguma forma. Esse sonho começa a se transformar em realidade quando consegue um emprego de terceiro assistente (leia-se “pau-pra-toda-obra”) na produtora de Sir Laurence Olivier, que na época já tinha sido agraciado com dois Oscar e partia para produção de um filme mais comercial, que seria estrelado por ninguém mais ninguém menos que ele e Marilyn Monroe que estava no auge de sua fama. A partir daí, temos uma inversão de papéis. Por que o filme que gira em torno da experiência de Colin, de repente parece orbitar ao redor de Marilyn.
Isso por que a atriz Michelle Williams conseguiu exatamente o que Marilyn conseguia fazer perante as lentes das câmeras: ofuscar a todos com sua presença marcante. Michelle conseguiu captar e expressar com perfeição a essência de Monroe: seu jeito de andar, seu olhar, a postura e os gestos lentos e femininos que fascinava a todos. Ela consegue transmitir aquela aura de êxtase de Marilyn. Não, definitivamente, Michelle Williams não é mais aquela garota que fazia uma adolescente problemática em Dawson’s Creek. Particularmente, gosto muito da atriz  que mostrou que sabia atuar desde O Segredo de Brockeback Mountain até o recente Namorados Para Sempre. Mas confesso que fiquei chocada ao vê-la na pele de Marilyn.
Esse foi um dos filmes mais esperados por mim nessa temporada, por que eu realmente queria ver o resultado! Tudo ia contra a atriz escalada para o papel. Desde sua estrutura física franzina e sem grandes atributos, o desafio de cantar, dançar e se transformar de uma “bonitinha sem sal” em uma das mulheres mais sensuais e sedutoras que o show business já viu. Pois bem, Michelle Williams deu conta do recado! Apresentou uma atuação madura e digna de indicação.

Em “Sete Dias Com Marilyn” a diva demonstra todo seu estrelismo gerado por seus medos da pressão de ser Marilyn Monroe. Ao desembarcar na Inglaterra para as filmagens de The Prince and The Showgirl, não consegue enxergar “a verdade” em seu personagem, o que a impedia de atuar com melhor desempenho. Causando sérios conflitos com seu diretor e par romântico no tal filme, Laurence Olivier. Isso fazia com que ela questionasse seu talento e se tornasse depressiva. E reagia a isso chegando ao set no horário que queria e quando queria, trazendo consigo uma professora de atuação que a dirigia mais que o diretor do filme e impondo todas as suas vontades e, ainda assim deixando todos babando e tomando o partido dela. E é num desses momentos de criança mimada que, ao descobrir que Arthur Miller (seu terceiro marido) a deixaria sozinha em Londres, pois se sentia sufocado por ela e todas suas demandas de atenção, ela solicita a presença do jovem terceiro assistente Colin para lhe fazer companhia. Tudo o que acontece a partir desse momento não cabe a mim contar. Só posso dizer que existe uma cumplicidade entre os dois que funciona para cada um de forma diferente. Para ela, uma válvula de escape; Para ele, as boas vindas a vida adulta.


Mas é maravilhoso poder ver que a magia de Marilyn Monroe era ser um grande enigma. Não se sabe se era uma garota frágil vestindo uma capa de mulher fatal ou se era uma grande manipuladora fingindo inocência. Não dá pra saber se a Marilyn das fotos naturalmente sexy era o personagem que ela criou para o trabalho ou se a Marilyn vulnerável que não agüentava a pressão da fama era o verdadeiro personagem para atrair e manipular todos ao seu redor. Eu particularmente acredito que ela era muito esperta, pois sabia das expectativas que seu nome gerava e transformava seus receios e sofrimentos em pedidos de ajuda disfarçados.
Mas voltando ao filme... (Não disse que ela rouba a cena?) As atuações estão impecáveis. Kenneth Branagh como Sir Laurence Olivier, desempenha com perfeição o tormento de ser uma estrela e ter que lidar com outra em prol de um resultado positivo. Julia Ormond que interpreta Vivien Leigh (a atriz que fez Scarlet O’Hara), mostrando um lado esposa ciumenta de Olivier. A maravilhosa Judy Dench e a querida Emma Watson com participações menores, mas exalando talento. E, o figurino é um capítulo a parte, extremamente real e convincente.

Contudo, o sucesso do filme é uma série de momentos corriqueiros, aparentemente sem nenhuma relevância, entre o “Terceiro assistente” e a estrela símbolo sexual mais famosa do mundo. Uma das melhores surpresas do ano para mim. Recomendo!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Assistindo Livros: Especial Oscar - Os Descendentes

A predileção de Alexander Payne de levar para as telas conflitos pessoais de personagens sem rumo de uma maneira nada convencional é interessante, mas confesso que nunca foi do meu agrado. As duas experiências que tenho com o diretor, Sideways e As Confissões de Schimidt não me impressionaram nem um pouco. Muito pelo contrário.  George Clooney, na minha humilde opinião nunca foi um ator lá muito versátil e até então nunca tinha conseguido se livrar da imagem de “Galã mais cobiçado de Hollywood”. Então, esse mix de Payne + Clooney foi meio caminho andado para que eu quase não desse a menor atenção ao filme Os Descendentes. Eu disse QUASE!
Acontece que uma adaptação de uma obra literária para as telas do cinema nunca é um trabalho fácil. E, já tendo lido um pouco sobre o romance da escritora havaiana Kaui Hart Hemmings, eu realmente quis conferir a capacidade do diretor de extrair humor de situações complexas e ainda assim mostrar uma estória bem contada.
Para minha surpresa, foi exatamente isso que aconteceu!
Nos primeiros minutos do filme, temos o protagonista Matt King, desmistificando em tom sarcástico a imagem de que morar no Havaí é como estar de férias o ano todo. A narração vem acompanhada de imagens urbanas, com todos os problemas de uma cidade normal. Nada de resorts, praias paradisíacas e surfistas por todos os lados. De fato, até tem tudo isso no filme (mesmo as camisas floridas), mas tudo em segundo plano.

Isso por que Matt está em um momento crucial de sua vida. Ele é um advogado que sempre colocou o trabalho em primeiro lugar e agora, sua esposa Elizabeth está em coma por conta de um acidente de lancha. A relação com suas filhas é praticamente inexistente. Ainda por cima encontra-se como responsável por decidir em nome da família pela venda de uma propriedade paradisíaca que é herança familiar, uma vez que são descendentes de uma linhagem de nobres havaianos e primeiros brancos a habitarem o arquipélago. Venda esta que deixaria os primos e ele próprio muito ricos, mas que destruiria uma das mais lindas paisagens, em prol de resorts internacionais ou Shopping Center ou coisa pior, atraindo a desaprovação da comunidade local. 
Em meio a tantos acontecimentos, Matt precisa fazer uma inversão de valores. Troca os dias enfiado no escritório pelos cuidados com as filhas em tempo integral. Novidade na vida de um pai que nunca teve que lidar com a rebeldia de uma filha adolescente e as tentativas de chamar atenção de uma filha de 10 anos. Cada uma aprontando conforme suas idades! Ao tentar recuperar o tempo perdido, Alexandra, sua filha mais velha faz uma revelação dramática que se torna a grande busca e aventura do filme. Não vou soltar spoiler e dizer do que se trata, mas posso adiantar que é uma reviravolta geral em tudo o que Matt acreditava.
Mas o grande lance do filme está exatamente aí, na maneira como todos os personagens lidam com a nova situação. O momento é trágico, mas pela imperfeição e realismo desses personagens, acaba criando situações patéticas que equilibram de forma certeira drama e humor. Acreditem, o filme traz um humor sutil e diálogos inteligentes no meio de um quadro que só piora a cada cena. 
Falando em personagens, devo reconhecer que George Clooney mostrou todo seu potencial de atuação nesse filme. Ele foi extremamente convincente no papel de homem comum, marido desesperado e pai tentando encontrar seu caminho. Deixando completamente de lado todo o charme e glamour que lhe é inerente para interpretar um personagem emocionalmente real.  Preciso ressaltar também um grande talento despontando: Shailene Woodley, que faz o papel de Alexandra, brilha representado com muita personalidade uma adolescente verdadeira, sem exageros no estereótipo. Na verdade o elenco todo é muito bom. Amara Miller que interpreta Scottie, a filha mais nova de Matt, faz um trabalho belíssimo. E há um personagem em especial que é responsável por muitas gargalhadas: Sid (Nick Krause), o amigo sem noção de Alexandra. 
Os Descendentes é um filme que não tem grandes truques, nem inovações. Ele é simplesmente isso: uma estória bem contada que faz com que você se identifique com os personagens, que são os mais reais possíveis, com problemas comuns e dificuldades que qualquer um de nós pode vir a ter. É isso que nos envolve na trama: ver tudo se desenrolar aos poucos, encaixando peças e reencontrando caminhos. Nada do que se pode imaginar de primeira: um drama familiar que numa cena final tudo se esclarece e todos ficam felizes... Os Descendentes é uma série de pequenos instantes que vão do aprendizado e crescimento dos personagens até as questões de perda e legado. 

Forte candidato ao Oscar de Melhor filme, não é meu favorito entre os concorrentes, mas sem dúvida, um grande filme!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Assistindo Livros: Especial Oscar - O Artista


Ainda não decidi se O Artista é uma homenagem à sétima arte ou uma verdadeira aula de como fazer um grande filme! Um filme que, mesmo mudo, diz tanto, que chega a questionar a real necessidade de palavras em certas situações. Sim, é um filme mudo e em preto e branco! Mas quer saber? A gente nem sequer lembra desse detalhe quando o filme começa... pra quê vozes? Temos atores talentosamente expressivos, uma trilha sensacional, detalhes técnicos impecáveis e a sutileza de uma estória encantadora, capaz de conquistar públicos de todas as idades.

O Artista nos apresenta o grande George Valentin, o astro mais popular e carismático do cinema mudo. Um filme de Valentin era garantia de sessão lotada, bilheteria esgotada com antecedência. E ele, vaidoso, tinha certeza de seu sucesso: sabia que aquelas pessoas estavam ali para VÊ-LO. Mas eis que, em uma de suas aparições públicas, Valentin literalmente esbarra em uma fã e para se sair da situação sem perder o rebolado, posa para os jornais ao lado da moça. Peppy Miller, a então misteriosa moça da foto com Valentin, era uma dançarina aspirante a atriz. 


Valentin a ajuda no início de sua carreira e nasce um sentimento mútuo ali. Só que a vida dos dois vira uma gangorra, quando a indústria cinematográfica começa a ver, ou melhor, OUVIR os avanços da tecnologia. Valentin dá gargalhadas da nova idéia absurda de inserir vozes no cinema. Recusa a aceitar essa transição, adaptar-se aos novos tempos e trava uma batalha pessoal  pra provar que o cinema mudo é o que o público deseja. Enquanto isso, Peppy abraça a novidade e sua carreira sobe vertiginosamente. O orgulho de Valentin não o deixa ver que o tempo não para. E a gratidão (e paixão) de Peppy faz com que se recuse a assistir a decadência do amigo, que se torna um homem “atormentado pelo som”.


O filme é uma verdadeira viagem no tempo, do figurino fantástico às apresentações no cinema com direito a orquestra fazendo fundo musical. Os protagonistas nos conquistam desde a primeira cena! Seus rostos expressam emoções de todos os tipos, o timimg da comédia é perfeito e a linguagem corporal capta cada minuto da nossa atenção. Desde um “duelo”de pernas a uma cena com um cabide, não há absolutamente nenhuma parte desse filme que não nos transmita uma mensagem. Tal como a gangorra que mencionei anteriormente, uma cena em uma escada, representa a principal delas: Peppy sobe o tempo todo e Valentin desce cada vez mais! Para mim, nada mais é que uma forma de nos mostrar que precisamos vencer os preconceitos, estar abertos a mudanças, ser capazes de se nos adaptar e ter humildade para reconhecer erros e aprender com eles.


Outro ponto alto da trama que não posso deixar de destacar é o personagem canino Uggie, o melhor amigo de Valentin! Fala sério, o cachorro merecia uma indicação de melhor ator coadjuvante! Brincadeiras a parte, o elenco é primoroso. E diria que, é só por causa de algumas caras conhecidas como John Goodman e Penélope Ann Miller que a gente se dá conta de que não é um filme antigo! 


Em tempos de filmes 3D e excessos de tecnologias é realmente surpreendente que um filme simples e sem efeitos especiais saia colecionando tantos prêmios e seja o favorito para o Oscar. Mas é de fato merecido! O filme é uma obra-prima! Todos os elementos estão lá: a comédia, o drama, a aventura. E você só precisa VER para SENTIR. Por isso convido você a deixar o preconceito de lado e viajar pelas expressões de Jean Dujardin e Bérénice Bejo!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Assistindo Livros: Especial Oscar - Histórias Cruzadas

Inúmeras vezes passei os olhos rapidamente pelo pôster desse filme e, sinceramente, apesar de não me sentir nem um pouco curiosa para ler a sinopse, sempre que o via navegando pela internet, me sentia atraída por aquela imagem de duas garotas brancas em figurinos da década de 1960 sentadas em um banco e, de pé ao seu lado, duas mulheres negras com uniformes de doméstica e uma cara de “preciso te contar um babado...”. Ignorei o quanto pude. Talvez por causa da atriz Emma Stone, pois tinha acabado de assistir dois filmes com ela, e sempre a achei mais para comediante do que para intérprete de papéis mais profundos como sugeria o famigerado cartaz... Mas tinha Bryce Dallas Howard e Viola Davis, o que absolutamente valia uma espiada... E que experiência sensacional!

Histórias Cruzadas (The Help) é uma adaptação do livro homônimo de Kathryn Stockett, um romance de estréia que alcançou o status de Bestseller poucas semanas após seu lançamento.

Ambientado no Mississipi em 1962, o filme nos mostra a trajetória de Eugênia Phelan, também conhecida como Skeeter, uma garota sulista recém formada em jornalismo determinada a se tornar escritora. Ao retornar a sua cidade natal, Skeeter se depara com a “realidade dos costumes sociais” e começa a ver com outros olhos esse conceito de sociedade perfeita e lares felizes. A começar por sua mãe que não pensa em outra coisa a não ser lhe arranjar um bom pretendente (mesmo achando a própria filha sem atrativos), suas “melhores” amigas tomando chá e criticando as outras em seus grupinhos fechados, enquanto suas casas são cuidadas e seus filhos são criados por domésticas negras. Empregadas que além de não terem seu trabalho valorizado ou sequer reconhecido, ainda são constantemente humilhadas e ameaçadas nos próprios lares que tanto precisam delas. Afinal era tempo de Segregação Racial, um dos períodos mais vergonhosos da história dos EUA. 

Presenciando um absurdo após o outro, Skeeter vê sua grande oportunidade quando decide escrever um livro com histórias relatadas pelas próprias domésticas. A perspectiva delas sendo mostrada. Mas como? Quem se arriscaria a abrir a boca e perder o emprego? Ter sua vida infernizada por uma ex-patroa ou pior, tornar-se alvo da Ku Klux Klam?

Com a desculpa de colher dicas para donas de casa e publicar numa coluna do jornal local, Skeeter conhece Aibileen, uma doméstica que já criou 17 crianças brancas, e a convence a se juntar a ela no projeto secreto. O grande desafio? Conseguir mais histórias, mais cidadãs negras dispostas a falar... e aí desenrola uma trama muito gostosa de se assistir, por vezes engraçada e por vezes realmente dramática.

O que posso dizer sobre o filme é que realmente adorei! Boa fotografia, excelentes atuações, ótimo figurino, ótimos personagens secundários. O roteiro tem algumas falhas sim, como alguns acontecimentos não finalizados e umas forçadas de barra em outras partes desnecessárias. Mas ainda assim acho que o filme consegue dizer a que veio: mostrar a vida de mulheres que abdicaram de cuidar de suas próprias famílias para ser empregadas domésticas e ainda criar crianças que tiveram a infelicidade de nascer numa geração onde aparências eram tão mais importantes que a dedicação real de suas mães.

Posso afirmar que está entre meus favoritos para Oscar, e é considerado o azarão do páreo por muitos críticos, mas quem sabe? Anos atrás, apostei em Crash- No Limite, quando todas as direções apontavam para O Segredo de Brokeback Mountain...


                                    Excesso de críticas


Já vi em alguns sites algumas críticas arrasadoras com o filme! Coisas do tipo: “por que a mocinha branca tem que “salvar” as negras?”; “por que a própria Aibileen não escreveu o livro?”; “ a vingança degradante de Minny contra sua ex-patroa...”, “que somente as mulheres brancas aparecem sendo malvadas”, “que os homens brancos eram omissos em relação a maldade das esposas e por outro lado os homens negros abandonavam suas famílias e batiam em suas mulheres...” Enfim, há uma série de questões depreciando o roteiro do filme. Bem, eu não sou crítica de cinema nem nada, e acredito que o filme tenha falhas sim, mas, sinceramente, estamos falando de um filme sobre mulheres da década de 60, onde o único futuro aceitável era casar e ter uma família invejável para a vizinhança. Então, sim, muitas das mulheres brancas fariam tudo e qualquer coisa pra continuar sendo a “abelha rainha” de seu grupinho social (oops, não é assim até hoje?). Os homens eram racistas sim, mas de que lhe interessavam assuntos de empregadas? Isso era “trabalho”da esposa. Os homens negros abandonando suas famílias, é apenas um reflexo de viver sob um sistema onde você deixa de ser escravo, mas continua sendo inferior. E vamos falar sério: quantos homens negros ou brancos, mesmo hoje em dia, tem estrutura psicológica para encarar a responsabilidade de uma família com falta de trabalho e dignidade...  E quanto a mocinha branca “salvando as negras” com um livro, bem, é clichê, mas em tempos de segregação, onde ônibus eram divididos, banheiros separados, entradas diferentes em prédios, me digam, que editora (provavelmente comandada por brancos) daria atenção a um livro escrito por uma doméstica negra naquela época?

Não estou levantando bandeira pro filme não, mas acho que Cinema é, antes de tudo arte e entretenimento, e sinceramente não vi o filme como uma espécie de “ressaltar os erros do passado e aliviar a culpa branca” ou nada do gênero, para mim, particularmente, é um filme sobre uma jornalista que vê uma história e aproveita uma grande oportunidade! O resto foi conseqüência!
Recomendadíssimo! Espero que vocês assistam e venham aqui dar suas opiniões! Vocês sabem que eu adoooooro.... 

domingo, 29 de janeiro de 2012

Assistindo Livros: Meia noite em Paris


Esta coluna foi criada para falar sobre livros que foram para a telona ou filmes que tem tudo a ver com literatura, e logo na estréia vou apresentar uma das melhores surpresas cinematográficas que tive ultimamente: Meia Noite em Paris de Woody Allen.

Pra inicio de conversa, preciso confessar que não faço parte da turma superpowerplusfã de Woody Allen. Apesar de gostar de filmes com personagens incomuns e temas alternativos, não consigo engolir clássicos do diretor como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, ou Poderosa Afrodite ou Todos Dizem eu Te Amo... (não me xinguem).  Sempre fui meio implicante com ele e somente depois de Match Point o diretor conseguiu capturar minha audiência... De lá pra cá, sempre assisto aos filmes do moço e até agora não tenho me decepcionado. (vai ver que é por que são filmes de Woody Allen que não parecem filmes de Woody Allen....kkkkkk)

Esclarecimentos à parte, vamos ao que interessa...

Nosso protagonista aqui é Gil Pender (maravilhosamente interpretado por Owen Wilson), um escritor de roteiros hollywoodianos bem sucedido, mas que atravessa um momento bem turbulento em sua vida profissional e pessoal. Isso por que Gil não se sente satisfeito em escrever histórias medíocres para blockbusters e como fã incondicional dos grandes nomes da literatura, busca encontrar inspiração para terminar seu grande projeto: um livro de verdade! Só que Gil anda meio empacado devido a falta de confiança no próprio talento e pra completar, está às vésperas de seu casamento com Inês (Rachel McAdams), uma típica americana bitolada e chata, que não compartilha de suas ambições culturais. De passagem por Paris, enquanto ele busca cenários e detalhes inspiradores, ela e seus pais (tão idiotas quanto) não se importam com nada além de compras, restaurantes renomados e todo tipo de futilidade.
A paciência de ambos chega ao limite ao encontrarem um casal amigo de Inês. Sabe aquele tipo de cara que faz a linha pseudo-intelectual e se diz especialista em tudo quanto é tipo assunto? E pra completar tem uma mulher que REALMENTE acredita que ele é esse cérebro ambulante? Pois é... de repente o tal casal está presente em toda a programação da viagem e Inês babando pelo “conhecimento” do outro e colocando o próprio noivo sempre na condição de “ouça e aprenda”. Tentando escapar desses programas de índio, Gil sai perambulando pelas ruas de Paris, senta numa calçada (já mais pra lá do que prá cá), e à meia noite um Peugeot antigo para na rua, e um grupo com roupas de época o convida para acompanhá-los a uma festa... E é aí que o filme começa de verdade...

Gil é uma daquelas pessoas que acredita que determinada época era bem melhor do que o agora... Imagine a cara do moço quando se deu conta de que estava em sua época favorita, os “loucos anos 1920”, e na companhia de ninguém mais, ninguém menos que F.Scott Fitzgerald e Zelda Fitzgerald, Ernest Hemingway, Gertrude Stein, T.S. Eliot, Dali, Picasso, Cole Porter e todos os ícones culturais que fizeram de Paris o ponto de encontro dos grandes artistas, pensadores e talentos da época.
O filme já tinha me conquistado com sua abertura com mais de 3 minutos de imagens inesquecíveis da Paris contemporânea, mas nesse momento me ganhou de vez! Primeiro, por que super me identifiquei com Gil... eu também tenho essa mania de pensar “nasci na época errada, devia ter vivido em Paris dos anos 20 ou em Londres nos anos 70” (e também adoro chuva). Segundo por que eu definitivamente AMO Fitzgerald e Hemingway. E terceiro por que tem coisa melhor do que aquela atmosfera artística, onde tudo era inspirador e as farras eram homéricas???? (super me vi no meio daquela confusão toda....kkkkk)
O filme é deliciosamente apaixonante e tem diálogos impagáveis!!! Consegue ser engraçado, comovente, envolvente do começo ao fim e com uma fotografia espetacular. Woody Allen conseguiu retratar com elegância e sensibilidade todas as épocas de Paris, mostrando todo charme e encantos da Cidade Luz . Os figurinos são perfeitos e a caracterização dos personagens famosos idem (pelo menos baseado nas descrições, biografias e fotos existentes)! Uma verdadeira obra de arte com um elenco excepcional!
Tomei a liberdade de inserir um link da Wikipédia no nome de algumas personalidades citadas no filme, por que se você ainda não viu e não faz idéia de quem são essas criaturas, vale a pena dar uma checada rápida. Mas se der preguiça, não se preocupe, não interfere em nada no contexto geral da estória. É apenas uma sugestão uma vez que Woody Allen mistura esses dois mundos de realidade e fantasia tão bem que você acaba viajando no tempo e dá realmente vontade de saber um pouco mais sobre aquelas pessoas.
Gente tem que ver! Pra quem é fã de cinema, literatura, história é um prato cheio! E pra quem procura simplesmente um bom filme pra assistir sem querer seus minutos de vida de volta, pode confiar na dica! 
Dou o braço a torcer pro Woody Allen e admito que o filme é nota 10!