Autora:Liana Zecca
Editora: Livros ilimitados
ISBN: 78563194381
Ano: 2011
Páginas: 158
Editora: Livros ilimitados
ISBN: 78563194381
Ano: 2011
Páginas: 158
Sinopse: Adélia é uma mulher que sente um grande vazio, ao fazer um balanço de sua vida. Tem um sentimento de inadequação por acreditar que as pessoas vêm ao mundo para cumprir uma missão e algo dentro de si lhe diz que ainda não encontrou o seu verdadeiro destino. Meio século de uma vida que não a deixava muito feliz: considerava-se uma pessoa errante em quase todas as escolhas que fizera − de amigos a amores. E para piorar, ainda era vítima de pesadelos recorrentes, que nunca se completavam. De repente, num chamado insólito e irresistível, decide fazer uma viagem ao Peru e, de lá, arrumar um bom guia que possa levá-la até o Equador, baseando-se num roteiro improvável, traçado por ela mesma, em que terá de passar pelo meio de montanhas e florestas, numa viagem que não sabe ao certo quando terminará e quais perigos terá de enfrentar. A partir do momento em que inicia aquela jornada sem retorno, ao lado de seu guia Chaski (“Mensageiro” na língua Quíchua), muitos segredos vão sendo desvendados a Adélia, de uma maneira surpreendente: desde os que envolvem o seu coração; até a essência de um povo ancestral, do qual descobre ter sido uma destemida guerreira, protegida por três guardiões: dois raros lobos brancos e um gavião real. Toda jornada envolve perigos e um certo grau de imprevisibilidade.
Não sei se com vocês acontece isso, mas quando eu tinha 15 anos não via a hora de fazer 20 e estar na faculdade e ter mais liberdade... Depois que fiz 20 queria logo chegar aos 25 para estar formada e trabalhando e dona do meu nariz... Depois dos 25 começa o medo de chegar aos 30 e não ter feito metade das coisas que gostaria, não ter realizado tudo o que você pensou que já teria realizado aos 30 anos... Depois dos 30 você se toca que a vida é agora e que o que foi realizado, ótimo! O que não foi, nunca é tarde para começar... Não importa a idade que se tenha, você continua sendo você, só que com mais maturidade, mais discernimento e mais certeza nas decisões e suas conseqüências. Algumas coisas acontecem mais cedo do que o esperado, outras mais tarde e muitas no tempo certo. Por que eu tô falando sobre isso? Por causa de Adélia, a protagonista do livro Os Guardiões, da escritora Liana Zecca.
Adélia é uma mulher que passou a vida com aquela sensação de “tá faltando algo”, sentindo um vazio que não conseguia preencher com realização profissional ou escolhas amorosas. Sentia que ainda tinha uma missão a ser cumprida e muitas experiências para viver, mesmo tendo acabado de completar 50 anos de idade. Quando muita gente começa a achar que está na hora de “se aquietar” na vida, Adélia faz exatamente o contrário: deixa tudo para traz e parte numa aventura com apenas uma mochila nas costas em busca do seu caminho, da razão de sua existência.
Você pode estar se perguntando “por que eu leria um livro sobre uma tiazinha cinquentona fazendo trilha?” Eu poderia citar inúmeros motivos, mas aí a resenha ficaria enorme... Então vou me ater a alguns...
Este livro para mim foi uma grata surpresa. A estória é encantadora e os personagens incríveis. A autora nos traz uma comovente estória de amor, rodeada por questões imprescindíveis como a preservação da cultura, crenças e folclore de um povo; o que vem sendo feito com a natureza e nossa responsabilidade sobre tudo que há de puro e belo estar desaparecendo; a importância de nossas próprias raízes. Esse contexto, ainda que numa narrativa sutil e com um toque de fantasia, nos faz refletir e repensar certas atitudes. Isso sem falar que Adélia é uma mulher determinada, guerreira e linda. Uma heroína completamente diferente dessas mocinhas bobas e sem atitude e que sempre caem na mesma cilada. Adélia é instintiva, apaixonada e corajosa. Quantas mulheres podem se gabar de ter abandonado sua vida estável, porém medíocre, em busca do seu verdadeiro destino?
Pois Adélia fez isso. Depois de tantos sonhos recorrentes e tantos mistérios sobre si mesma que precisava desvendar, traçou uma trilha que a levaria do Peru até o Equador, um caminho no qual acreditava que encontraria suas respostas. E para tanto, precisaria de um guia. Chaski, um índio peruano experiente, que conhecia a região como a palma da mão e sabia os perigos de uma travessia como aquela. De início, Chaski faz de tudo para que Adélia mude de idéia, chega a boicotar a viagem de várias formas, mas sua força de vontade e bravura mostram a ele quão merecedora ela era de seus ensinamentos e sua liderança. E, cá pra nós, o que é Chaski??? Um índio imponente, que inspira respeito e admiração e transpira sensualidade em suas atitudes másculas e fortes... (ai, ai...)
É delicioso acompanhar a evolução dessa jornada e da relação entre Chaski e Adélia. A autora nos envolve de tal maneira, que é impossível não torcer ou não se emocionar com os personagens. Aquela narrativa leve e fluida que não nos deixa conferir páginas... E, embora eu tenha achado que alguns acontecimentos se resolvem rápido demais, isso não compromete a leitura nem o enredo de forma alguma. É uma questão particular minha que, ao contrário da maioria das pessoas, gosto de textos extremamente descritivos e cheios de detalhes (ou embromação)... (podem rir que eu deixo)
Mas o que posso afirmar e, o que realmente importa, é que a autora fez um trabalho de pesquisa excepcional (ou então já encarou a trilha ela mesma), pois nada falta na ambientação da estória, na caracterização dos personagens e na descrição cultural do contexto. Ela construiu um romance conciso, porém totalmente amarrado, sem pontas soltas. Tudo é explicado no seu devido momento. Você termina a leitura com a sensação de “caso encerrado”, “tudo foi esclarecido”. E isso pra mim é essencial! Detesto ler livros que mencionam uma coisa aparentemente importante e depois ninguém nunca mais toca no assunto.
Pra encerrar, o que posso dizer é que o livro todo é uma grande homenagem as mulheres, a cultura indígena e a nossa querida mãe-natureza. É uma estória que merece ser lida e apreciada em seus inúmeros aspectos. Fico orgulhosa de ter recebido esse grande presente da Liana Zecca, que só mostra quantos talentos temos em nosso país. Recomendadíssimo!
“Deitados e abraçados ao lado da fogueira, observaram o céu que, naquela noite, para Adélia era a mais estrelada de todas. "Por que encontramos o amor tão tarde?" "Por que diz isso?" — intrigou-se Chaski. "Já somos pessoas maduras e só agora eu posso dizer que sinto dentro do meu coração amar verdadeiramente alguém." Tomado de grande emoção, ele inclinou-se e acariciou o seu rosto: "Você é jovem e linda; é a mulher mais determinada, corajosa e desejável que eu já conheci em todo esse meu tempo de vida. E não importa quanto tempo ainda viveremos esse amor; importa que o vivamos intensamente cada dia que nos resta.”






















