quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Assistindo Livros: Especial Oscar - Histórias Cruzadas

Inúmeras vezes passei os olhos rapidamente pelo pôster desse filme e, sinceramente, apesar de não me sentir nem um pouco curiosa para ler a sinopse, sempre que o via navegando pela internet, me sentia atraída por aquela imagem de duas garotas brancas em figurinos da década de 1960 sentadas em um banco e, de pé ao seu lado, duas mulheres negras com uniformes de doméstica e uma cara de “preciso te contar um babado...”. Ignorei o quanto pude. Talvez por causa da atriz Emma Stone, pois tinha acabado de assistir dois filmes com ela, e sempre a achei mais para comediante do que para intérprete de papéis mais profundos como sugeria o famigerado cartaz... Mas tinha Bryce Dallas Howard e Viola Davis, o que absolutamente valia uma espiada... E que experiência sensacional!

Histórias Cruzadas (The Help) é uma adaptação do livro homônimo de Kathryn Stockett, um romance de estréia que alcançou o status de Bestseller poucas semanas após seu lançamento.

Ambientado no Mississipi em 1962, o filme nos mostra a trajetória de Eugênia Phelan, também conhecida como Skeeter, uma garota sulista recém formada em jornalismo determinada a se tornar escritora. Ao retornar a sua cidade natal, Skeeter se depara com a “realidade dos costumes sociais” e começa a ver com outros olhos esse conceito de sociedade perfeita e lares felizes. A começar por sua mãe que não pensa em outra coisa a não ser lhe arranjar um bom pretendente (mesmo achando a própria filha sem atrativos), suas “melhores” amigas tomando chá e criticando as outras em seus grupinhos fechados, enquanto suas casas são cuidadas e seus filhos são criados por domésticas negras. Empregadas que além de não terem seu trabalho valorizado ou sequer reconhecido, ainda são constantemente humilhadas e ameaçadas nos próprios lares que tanto precisam delas. Afinal era tempo de Segregação Racial, um dos períodos mais vergonhosos da história dos EUA. 

Presenciando um absurdo após o outro, Skeeter vê sua grande oportunidade quando decide escrever um livro com histórias relatadas pelas próprias domésticas. A perspectiva delas sendo mostrada. Mas como? Quem se arriscaria a abrir a boca e perder o emprego? Ter sua vida infernizada por uma ex-patroa ou pior, tornar-se alvo da Ku Klux Klam?

Com a desculpa de colher dicas para donas de casa e publicar numa coluna do jornal local, Skeeter conhece Aibileen, uma doméstica que já criou 17 crianças brancas, e a convence a se juntar a ela no projeto secreto. O grande desafio? Conseguir mais histórias, mais cidadãs negras dispostas a falar... e aí desenrola uma trama muito gostosa de se assistir, por vezes engraçada e por vezes realmente dramática.

O que posso dizer sobre o filme é que realmente adorei! Boa fotografia, excelentes atuações, ótimo figurino, ótimos personagens secundários. O roteiro tem algumas falhas sim, como alguns acontecimentos não finalizados e umas forçadas de barra em outras partes desnecessárias. Mas ainda assim acho que o filme consegue dizer a que veio: mostrar a vida de mulheres que abdicaram de cuidar de suas próprias famílias para ser empregadas domésticas e ainda criar crianças que tiveram a infelicidade de nascer numa geração onde aparências eram tão mais importantes que a dedicação real de suas mães.

Posso afirmar que está entre meus favoritos para Oscar, e é considerado o azarão do páreo por muitos críticos, mas quem sabe? Anos atrás, apostei em Crash- No Limite, quando todas as direções apontavam para O Segredo de Brokeback Mountain...


                                    Excesso de críticas


Já vi em alguns sites algumas críticas arrasadoras com o filme! Coisas do tipo: “por que a mocinha branca tem que “salvar” as negras?”; “por que a própria Aibileen não escreveu o livro?”; “ a vingança degradante de Minny contra sua ex-patroa...”, “que somente as mulheres brancas aparecem sendo malvadas”, “que os homens brancos eram omissos em relação a maldade das esposas e por outro lado os homens negros abandonavam suas famílias e batiam em suas mulheres...” Enfim, há uma série de questões depreciando o roteiro do filme. Bem, eu não sou crítica de cinema nem nada, e acredito que o filme tenha falhas sim, mas, sinceramente, estamos falando de um filme sobre mulheres da década de 60, onde o único futuro aceitável era casar e ter uma família invejável para a vizinhança. Então, sim, muitas das mulheres brancas fariam tudo e qualquer coisa pra continuar sendo a “abelha rainha” de seu grupinho social (oops, não é assim até hoje?). Os homens eram racistas sim, mas de que lhe interessavam assuntos de empregadas? Isso era “trabalho”da esposa. Os homens negros abandonando suas famílias, é apenas um reflexo de viver sob um sistema onde você deixa de ser escravo, mas continua sendo inferior. E vamos falar sério: quantos homens negros ou brancos, mesmo hoje em dia, tem estrutura psicológica para encarar a responsabilidade de uma família com falta de trabalho e dignidade...  E quanto a mocinha branca “salvando as negras” com um livro, bem, é clichê, mas em tempos de segregação, onde ônibus eram divididos, banheiros separados, entradas diferentes em prédios, me digam, que editora (provavelmente comandada por brancos) daria atenção a um livro escrito por uma doméstica negra naquela época?

Não estou levantando bandeira pro filme não, mas acho que Cinema é, antes de tudo arte e entretenimento, e sinceramente não vi o filme como uma espécie de “ressaltar os erros do passado e aliviar a culpa branca” ou nada do gênero, para mim, particularmente, é um filme sobre uma jornalista que vê uma história e aproveita uma grande oportunidade! O resto foi conseqüência!
Recomendadíssimo! Espero que vocês assistam e venham aqui dar suas opiniões! Vocês sabem que eu adoooooro.... 

7 comentários:

Annie disse...

Olhaa! Gostei da descrição do filme (e críticas nem sempre fazem jus ao meu gosto), parei aqui para ver o trailer..me agradou bastante...
Assim que puder vou providenciar para assistir.

Bjss,
@annielus

Jéssica Cardoso disse...

Eu PRECISO assistir esse filme. Quem sabe não me interesse pelo livro? :)

Taynah disse...

Posso falar? Chorei. E sabiiiia que iam criticar essa questão "a branca que 'salva' as negras". Geralmente, quando a crítica é boa, o filme ou livro é uma bomba! Logo, se a crítica é ruim... hehehe Mas achei o filme muuuito bom, conseguindo ser divertido e, ao mesmo tempo, chocante. Ele me lembrou um pouco "O caçador de pipas" no quesito discriminação.

Illyana disse...

Oi, Paulinha o/
Olha eu aqui de novo, hohohohoho

Em relação ao filme, seguinte, ainda não o assisti, mas pretendo fazer isso assim que possível. Me interessei bastante pelo roteiro - apesar de não possuir o mesmo nível de conhecimento que você quanto aos atores e suas interpretações ^^ - e fiquei curiosa sobre como iriam abordar a questão.

Mas sério: não consigo entender nem compreender o que passa na cabeça dos radicais.

Essa polícia hipócrita atual de tudo ficar analisando para então dizer 'se pode' ou 'não pode', o que é 'politicamente aceito' ou não.

Me irrita deveras tudo questionarem, tudo tentarem censurar.
Daqui a pouco ninguém mais poderá fazer um comentário sobre algo que pronto, a polícia 'politicamente correta' estará a postos ¬¬

VAmos coibir os abusos, porém mantendo o bom senso, povo argh.

Como já disse, sua análise sobre o contexto histórico do filme foi excelente - como Assistente Social, a minha própria análise segue beeeeeeeeeeem próxima da sua, praticamente irmãs gêmeas, hahaahahahah

Uma pena os críticos continuamente esquecerem que o cinema e os filmes produzidos são para entretenimento das grandes massas - e, às vezes, das pequenas também, ohhohohoh

Mas críticos existem para criticar.

Perdi a conta dos filmes que adoro e que eles execram apenas por esporte.

Por isso que não levo o que eles dizem em conta - salvo raríssimas exceções ^~

Um abração!!

Illyana HimuraWakai
illyana.himura@gmail.com
@IllychanHimuraW

Illyana disse...

Digitei, digitei, digitei...

E...

...acabei esquecendo de dizer que ADOREI o título da coluna: Pipoca Literária \o/\o/\o/

*_______________________*

Pandinhas fofos para vc, Paulinha ^~

Illyana HimuraWakai
illyana.himura@gmail.com
@IllychanHimuraW

danamartins disse...

Eu adorei esse filme e dos que eu vi é um dos meus preferidos pro Oscar também, até gostaria que ganhasse, mas acho que ele acaba sendo um pouco comercial demais.

Acho que quando alguém trata de assunto polêmico sempre vai ter alguém pra ir contra ou ficar apontando erro. Acho que o filme, independente de como for, faz bem o papel de jogar o racismo na cara de quem tá assistindo. Eu não lembro de ter visto um filme que me chocou tanto por esse preconceito. E, ao mesmo tempo, ele não é aquele filme pesado.

Eu também já pensei nisso da autora ser branca, mas eu fico com você. Mal queriam aceitar a skeeter, imagine só uma negra naquela época. E só aceitaram porque já estavam crescendo os movimentos dos negros... E tem mais uma coisa: as pessoas ficam nessa de "olha lá, a branca salva a pátria", mas nem para pra pensar que o racismo é com negros E brancos. Acho que além de ser a solução lógica, desse modo a história mostra de certa forma que a cor é o que menos importa. Acho difícil o filme passar o dia 26 sem levar pelo menos um Oscar.

Thaddeus disse...

POIS é, finalmente discordando de quase tudo que vc disse...acho que o filme não acrescenta nada, além do óbvio...se fosse um'super-cine' da vida, vá-lá, mas pra oscar acho que exageraram..o filme repete a mesma fórmula de sempre pra falar de racismo da década 50 ou 60...achei as interpretações às mesmas de sempre..e duas foram indicadas, pelo que , não sei..papéis iguais a qualquer outro do mesmo estilo..a minny, na minha ignorante opinião, não vai além da mesma atuação missipiana de sempre- Tara, é vc meu , bem?- mas gostei do filme, forçado, piegas e saboroso..mas, oscar, minha gente? dá licença..

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