quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Resenha: O Céu Está Em Todo Lugar - Jandy Nelson

Título original: The sky is everywhere
Editora: Novo Conceito
Ano: 2011
Páginas: 420
ISBN: 9788563219374
Tradução: Marsely De Marco Martins Dantas
Mais sobre o livro: 
Skoob

Sinopse: Lennie Walker, obcecada por livros e música, tocava clarinete e vivia de forma segura e feliz, à sombra de sua brilhante irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre de forma abrupta, Lennie é lançada ao centro de sua própria vida, e, apesar de não ter nenhum histórico com rapazes, ela se vê, subitamente, lutando para encontrar o equilíbrio entre dois – um deles a tira da tristeza, o outro a consola.


Há tempos não me deparava com uma edição tão caprichada, um projeto gráfico incrível e cheio de detalhes artísticos tão esmerados quanto deste livro. A princípio, confesso que foi isso que me chamou a atenção, por que como colecionadora, minha estante merece presentes como esse... Além do que, sou libriana e aí já viu né? Tudo que é visualmente belo fica praticamente com uma placa de neon em cima piscando “me compra! me compra!” 
Outro detalhe que me fez apostar na estória, uma vez que me pareceu a primeira vista ser apenas um livro sobre uma adolescente insegura choramingando a perda da irmã mais velha, foi a seguinte frase na capa: “Eu deveria estar de luto, não me apaixonando...”
Na mesma hora pensei: “agora sim! Temos um assunto interessante por aqui, por que se a intenção fosse só me arrastar por páginas e páginas de sofrimento, lamúrias e lamentações do que chamo de ‘mocinha padrão de YA’, me poupe!” (Sim, sou rabugenta!) 
Na verdade “O céu está em todo lugar” acabou sendo uma grata surpresa. 
Nossa protagonista aqui é Lennie Walker ou melhor Lennon (por causa do John), uma adolescente apaixonada pelo livro Morro dos Ventos Uivantes, que já leu 23 vezes, por seu clarinete e pela irmã mais velha Bailey, que morreu abruptamente aos 19 anos de arritmia cardíaca, enquanto ensaiava seu papel de Julieta na peça da escola.
Lennie teve o chão retirado de baixo de seus pés com a partida da irmã. Bailey que era a mais bonita, a mais destemida, a mais talentosa, mais confiante e melhor em tudo o que fazia. Assim Lennie a via: como seu exemplo! E tinha orgulho de ser sua irmã e cúmplice de todos os momentos. São esses momentos de Lennie e Bailey,  descritos de forma tão cristalina, que nos dá a impressão de ter  conhecido a personagem que se foi  e chega a nos fazer falta também.
O fato de ter uma mãe de “espírito livre” que as deixou com sua avó ainda crianças, também não ajuda Lennie a ficar menos confusa. Nem mesmo Vovó e Tio Big, os personagens mais excêntricos e encantadores, parecem saber como lidar com a perda de uma e como apoiar a outra. Todos se sentem perdidos. Inclusive Toby, o namorado de Bailey, que tem uma conexão única com Lennie, uma vez que eles compartilham da mesma dor que “ninguém entende”.
Tentando retornar à normalidade, Lennie se ressente por ver que a Terra não parou de girar só por que sua irmã morreu. Em seus momentos de dor, raiva e frustração ela escreve poemas, diálogos e frases em tudo e qualquer coisa que vê pela frente: um guardanapo, uma partitura, um copo de papel, jornal, paredes, árvores, portas... E assim espalhando pedacinhos de sentimentos escondidos por toda a cidade. E é absolutamente incrível como esses “bilhetinhos” surgem do nada nas páginas do livro interrompendo os capítulos e se tornando tão interessantes que o leitor começa a esperar por eles. 
E no meio do caminho, surge Joe Fontaine, o garoto novo vindo da França, de cílios longos e lindos (pica,pisca,pisca) que vem de uma família de músicos e torna-se logo alvo de todas as alunas da escola. Mas é a garota triste e esquisita que lhe chama atenção. Daí pra frente o mundo de Lennie parece que vai explodir! A confusão e agonia da descoberta de sentimentos novos, o triângulo amoroso e doloroso, os segredos de família, o outro lado de Bailey... E se descobrir como pessoa e não como sombra. Uma trajetória que te deixa com os olhos grudados nas letras azuis do livro! 
A narrativa da autora é suave, com pitadas de humor e excentricidades que diluem um pouco o clima dramático da perda que a protagonista encara (às vezes até de forma meio mórbida pro meu gosto). Jandy Nelson conseguiu construir um retrato em seus mínimos detalhes da dor de quem perde um ente querido. O que essas pessoas pensam de verdade. Como agem nos momentos longe dos olhos alheios e como cada um tem sua própria forma de lidar e superar. É uma grande lição de esperança, de força pra seguir em frente e continuar vivendo e sendo feliz, sem importar quanta falta e dor essa perda traz. Um assunto de natureza tão profunda sendo tão ricamente explorado num livro destinado a jovens adultos, não é algo que se veja todos os dias. Portanto recomendo o livro e parabenizo a autora por um romance de estréia tão maduro!  

6 comentários:

Samanta Holtz disse...

Oi, querida :)

Vim conhecer o seu cantinho e gostei muito! Já estou seguindo seu blog!

Tenho ouvido falar muito bem desse romance, já estou pensando em incluí-lo em minhas próximas leituras... rs... sua resenha me ajudou a gostar mais dele ^^


Um beijo!

Samanta Holtz
autora de "O Pássaro"
www.samantaholtz.blogspot.com
@SamantaHoltz

Annie disse...

Quando li a sinopse desse livro pela primeira vez, eu achei que seria outro romance entre os tantos que vi em 2011. Mas na Bienal do Rio, folheando o livro, eu fiquei encantada com o livro como um todo.
Eu remeti minhas memórias ao tempo em que eu escrevia pequenos bilhetes por todos os cantos (fossem versos, poemas, músicas, etc).

O livro é uma gracinha e a história é cativante!!
Adorei a resenha.

Bjss.
Annie.

mundo da lua disse...

parece uma otima leitura

vou nesse som toda a certeza!"

Jéssica Cardoso disse...

Tenho trauma com romances 'kkkkkkkk. /tenso

Illyana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Illyana disse...

Oi, Paulinha o/

O Céu está em Todo Lugar realmente está em todo...(s) os blogs na Blogsfera literária ^~

Sendo muito sincera, ainda não me sinto com vontade de ler este livro^^

Sei que ele surpreende pela Jandy trazer alguns pontos mais interessantes, mas sei lá... acaba que existem determinados clichês que me tiram mesmo do sério - o cara nota 1.000 que se interessa pela 'menina esquisita' da escola; a mocinha que vive à sombra de um irmão/irmã; o malfadado triângulo amoroso...

Mas veja, em alguns livros/romances, apesar destes 'itens' estarem presentes, eles não estragam a história e talz.

Hoje em dia, depois de quase 30 anos lendo, tenho uma máxima: 'Não me importam os clichês. Mas sim a forma que o autor/autora escreve - será seu estilo de escrita que irá me fazer gostar ou odiar o livro'. E é verdade, sabe? Então... Não é porque O Céu tem estes clichês que necessariamente, eu não iria lê-lo ou também não gostaria dele.

O que realmente me impede de criar vontade de ler o livro é o fator 'como lidar com a morte de um ente querido'.

Fico super atrás com livros assim... SEm falar que também não curto o lance de poesias e tal^^. Como eu prefiro vivenciar emoções por meio de cenas de mistério, suspense, ação, mistério e magia, além de romances mais adultos e maduros, bem...

O Céu está em Todo Lugar vai esperar mais um pouquinho para se tornar interessante para mim pessoa ^~

De forma alguma quero que alguém entenda que estou dizendo que o talento da Jandy é inferior ou que O Céu não é um livro que traga uma ótima leitura. Nada disto. Até pq como eu já disse lá em cima, muito mais interessante é descobrir o estilo do autor/autora e como ele trabalha com seus personagens, seu mundo etc.

Só quero dizer que não é o tipo de leitura que me atraia. Apenas isso, ok? ^~

Meus parabéns pela resenha, pois ela flui de uma forma gostosa e suas descrições das ações - e principalmente dos sentimentos dos personagens - ficou muito boa, repassando conhecimento para os Seguidores compreenderem a história da Jandy e se aventurarem por ela o/

Super abraços de pandinhas fofos, Paulinha \o/\o/

Illyana HimuraWakai
illyana.himura@gmail.com
@IllychanHimuraW

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